Hidratação no futebol: quanto beber antes, durante e depois do jogo

Infográfico para atletas de futebol se hidratarem
Infográfico para atletas de futebol se hidratarem

 

Chegar ao segundo tempo com sede intensa, boca seca e pouca disposição não deveria ser o plano. No entanto, beber litros de água por obrigação também não resolve. A hidratação no futebol funciona melhor quando acompanha o suor, o clima e as oportunidades reais de beber.

Neste guia, você vai entender como organizar líquidos antes, durante e depois do jogo. Além disso, aprenderá a estimar suas perdas sem confundir uma calculadora com um exame de sódio ou uma prescrição clínica.

Conteúdo de Matheus Perissinotto, nutricionista esportivo CRN-3 68818 formado pelo Barcelona Innovation Hub. As orientações são educativas e precisam ser adaptadas à idade, à saúde e à rotina de cada jogador.

Como fazer a hidratação no futebol sem beber de menos ou de mais?

Resposta rápida: a hidratação no futebol deve começar antes da partida e continuar nas oportunidades de pausa, com volumes toleráveis e ajustados às perdas pelo suor. Considere clima, duração e sede. Evite tanto iniciar desidratado quanto beber grandes quantidades por obrigação. Uma estratégia individual é mais útil do que recomendar a mesma garrafa para todos.

O futebol tem uma dificuldade particular: nem sempre é possível beber quando você quer. Portanto, deixar tudo para o intervalo pode ser insuficiente em uma partida longa e quente. Por outro lado, carregar uma meta exagerada pode causar desconforto e criar outro problema.

O posicionamento do ACSM de Sawka e colaboradores (2007) destaca que reposição de líquidos deve considerar perdas individuais. Assim, seu colega de equipe não é uma medida confiável da sua necessidade.

Bola e garrafas no gramado para organizar a hidratação no futebol
Ter líquidos acessíveis é uma parte prática da estratégia, não apenas um detalhe do vestiário.

O que beber antes de entrar em campo?

Resposta rápida: antes de entrar em campo, distribua líquidos ao longo do dia e nas refeições, em vez de tentar compensar tudo no aquecimento. Água costuma ser uma boa base. A escolha de outras bebidas depende da alimentação, do calor e da tolerância. Sede, rotina e observação da urina ajudam, mas nenhum indicador isolado confirma hidratação adequada.

Por exemplo, quem chega ao jogo após horas sem beber pode precisar reorganizar o dia anterior e a manhã da partida. Além disso, viagens, trabalho ao ar livre e treinos anteriores também influenciam o ponto de partida.

A cor da urina pode ajudar a perceber tendências, mas vitaminas, alimentos e medicamentos alteram esse sinal. Portanto, não tente deixá-la completamente transparente bebendo sem limite. O objetivo é chegar confortável, não cumprir um teste visual perfeito.

Da mesma forma, evite estrear uma bebida desconhecida em uma final. Teste sabor, volume e tolerância durante treinos. A alimentação também importa: o guia de timing de nutrientes ajuda a organizar o que acontece ao redor da atividade.

Como calcular a taxa de suor no futebol?

Resposta rápida: estime a taxa de suor comparando o peso corporal antes e depois de uma sessão, somando o líquido ingerido e descontando a urina eliminada. Depois, divida pela duração em horas. O resultado aproxima o volume perdido naquele contexto; não mede o sódio do suor nem determina sozinho quanto você deverá beber em toda partida.

Primeiro, use a mesma balança e condições semelhantes, preferencialmente com pouca roupa seca. Depois, registre quanto bebeu e quanto tempo durou o exercício. Se houver urina durante a sessão, essa perda deve entrar no cálculo.

  1. Registre o peso inicial: use uma balança em condições padronizadas, com pouca roupa seca.
  2. Anote a sessão: registre duração, líquido ingerido e eventual urina eliminada.
  3. Meça o peso final: seque o suor e repita a pesagem em condições semelhantes.
  4. Estime a taxa: some a perda de peso em quilogramas ao líquido ingerido em litros, desconte a urina e divida pela duração em horas. Trate o resultado como aproximação, não como prescrição.

Exemplo: uma pessoa inicia com 70,0 kg e termina com 69,4 kg, após beber 0,4 L em uma hora, sem urinar. A estimativa é 0,6 + 0,4 = 1,0 L de suor nessa hora. Entretanto, esse número não obriga a beber exatamente 1,0 L por hora no jogo seguinte.

Além disso, roupas molhadas, alimentação, erro da balança e perdas respiratórias afetam a precisão. Repita o teste em condições comparáveis para entender uma faixa. Um dia fresco e um jogo sob calor intenso podem produzir resultados diferentes.

A análise de Barnes e colaboradores (2019) mostra variação nas perdas de suor e sódio entre atletas. Já Jeukendrup (2022), no MySportScience, explica o uso prático dessa estimativa. Por isso, observar o próprio contexto é melhor do que usar uma média como prescrição.

Para facilitar o registro, use a Calculadora de Sudorese do NutriShow OS. Ela ajuda com a estimativa de volume; não substitui avaliação clínica nem mede a concentração de sódio do suor.

Pessoa em balança digital para estimar perdas de suor na hidratação no futebol
A pesagem padronizada ajuda a estimar perdas; uma medida isolada não revela toda a necessidade de hidratação.

Água ou isotônico: qual faz mais sentido durante o jogo?

Resposta rápida: água pode bastar em sessões curtas ou quando a alimentação já atende às necessidades. Em partidas prolongadas, bebidas esportivas podem combinar líquido, carboidrato e sódio de forma conveniente. A escolha depende do esforço, do calor e do restante da estratégia alimentar. Isotônico não é obrigatório, e energético não é sinônimo de bebida esportiva.

Assim, uma bebida com carboidrato pode cumprir dois papéis: hidratar e fornecer energia. No entanto, sua quantidade de carboidrato precisa entrar no planejamento junto com alimentos e géis, para evitar excesso concentrado no intervalo.

O consenso de Collins e colaboradores (2021) considera a oferta de nutrientes durante jogos de futebol de elite. A aplicação ao futebol recreativo deve respeitar intensidade, duração e acesso a pausas.

Comparação prática de bebidas no futebol
OpçãoO que ofereceQuando avaliar
ÁguaLíquido, sem carboidratoBase da rotina e sessões menos exigentes
Bebida esportiva com carboidratoLíquido, energia e geralmente sódioPartidas longas e oportunidades limitadas de comer
Bebida com eletrólitos sem carboidratoLíquido e minerais, sem energia relevanteQuando a energia vem de outra fonte
EnergéticoComposição variável, frequentemente cafeínaNão tratar como repositor esportivo automático

Além disso, alimentos e refeições fornecem sódio. A discussão de McCubbin (2022), no MySportScience, ressalta os limites de recomendações universais. Portanto, cápsulas de sal não devem ser uma resposta automática a qualquer suor ou cãibra.

Para integrar energia e líquidos, veja os tipos de carboidrato na nutrição esportiva. A composição da bebida e a tolerância gastrointestinal são mais importantes do que o marketing da embalagem.

Como beber no calor e depois do apito final?

Resposta rápida: no calor, planeje acesso a líquidos e aproveite pausas, sem esperar uma queda importante de disposição. Depois do jogo, reponha gradualmente as perdas, junto com alimentação e descanso. Quantidades fixas não servem para todos. Quando houver outra sessão próxima ou perdas elevadas, o planejamento precisa ser mais cuidadoso e, idealmente, individualizado.

Por exemplo, uma garrafa identificada evita confundir o volume consumido com o de um colega. Além disso, um recipiente térmico pode tornar a bebida mais agradável em dias quentes. Isso melhora a logística, mas não altera sozinho a quantidade necessária.

Após a partida, distribua a ingestão em vez de beber tudo de uma vez. A refeição ajuda a repor nutrientes e favorece a organização da recuperação. Portanto, não separe hidratação de alimentação e rotina.

Mulher em pausa de exercício ao ar livre, contexto de hidratação e calor no esporte
Calor, roupa, intensidade e duração mudam o contexto; a estratégia deve acompanhar essas condições.

A melhor hidratação não é a maior quantidade. É a quantidade que faz sentido para o seu jogo.

 

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Beber muita água também pode ser perigoso?

Resposta rápida: sim. Ingerir líquido em excesso durante exercício pode contribuir para hiponatremia, uma queda perigosa do sódio no sangue. Por isso, não beba além da necessidade para cumprir uma meta rígida. Confusão, vômitos repetidos, desmaio ou alteração importante do estado geral exigem atendimento imediato, sem tentar corrigir o problema apenas com água ou sal.

A revisão de Hew-Butler e colaboradores (2017) discute esse risco no exercício. Entretanto, os sintomas podem se sobrepor a outros problemas, inclusive relacionados ao calor. Não faça autodiagnóstico no campo.

Além disso, pessoas com restrição de líquidos, doença cardíaca ou renal precisam de orientação específica. Para crianças e adolescentes, a supervisão e a adaptação à idade também são essenciais.

Para aprofundar

Perguntas Frequentes

Quantos litros de água devo beber em um jogo?

Não existe um volume universal. Clima, tempo em campo, intensidade, tamanho corporal e taxa de suor influenciam a necessidade. Use a sede e uma estratégia testada nos treinos, com acesso a pausas. Além disso, evite copiar a quantidade de outro jogador ou beber grandes volumes por obrigação.

Todo jogador precisa de isotônico?

Não. A bebida esportiva pode ser conveniente para combinar líquido, carboidrato e sódio em partidas prolongadas. Entretanto, água e alimentação podem atender a muitos contextos. A decisão depende do esforço e do plano completo, não do fato de a bebida ter uma imagem esportiva.

Cãibra significa falta de sódio?

Não necessariamente. Cãibras relacionadas ao exercício têm diferentes fatores envolvidos, incluindo fadiga e exigência muscular. Portanto, não conclua que precisa de cápsulas de sal apenas por ter uma cãibra. Se forem recorrentes, revise treino, alimentação e hidratação com profissionais.

Urina transparente é sinal de hidratação perfeita?

Não. A cor da urina é apenas um indicador e pode mudar com alimentos, suplementos ou medicamentos. Além disso, tentar mantê-la sempre transparente pode estimular ingestão excessiva de líquido. Observe tendências junto com sede, rotina e contexto, sem transformar a cor em uma meta rígida.

A taxa de suor será igual em todos os jogos?

Não. Calor, umidade, intensidade, roupa e adaptação ao ambiente modificam as perdas. Por isso, repita a estimativa em condições diferentes quando necessário. Uma medida ajuda a planejar, mas não deve ser aplicada automaticamente a todos os treinos e partidas da temporada.

Quem tem doença renal pode seguir esse protocolo?

Não sem orientação individual. Doenças renais, cardíacas e outras condições podem exigir limites específicos para líquidos e minerais. Nesse caso, a equipe de saúde deve ajustar a estratégia. Uma recomendação genérica de hidratação esportiva não substitui o tratamento nem as restrições já prescritas.


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Sobre o Autor

Matheus Perissinotto
Matheus Perissinotto

Matheus Perissinotto é nutricionista esportivo registrado no CRN-3 sob nº 68818, formado em Nutrição Avançada pelo Barcelona Innovation Hub (FC Barcelona). Especialista em performance esportiva, com atuação em fisiculturismo, Ironman, CrossFit, maratona, ultramaratona e futebol profissional. Atende presencialmente em São Paulo (Av. Francisco Matarazzo, 229) e online para todo o Brasil. Fundador da NutriShow, plataforma de educação e consultoria em nutrição esportiva baseada em evidência científica.

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